quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sentidos atentos

Hoje, quando o sino tocou, despertei.

Não com o som, mas com o silêncio

que só eu ouvi.

Por que todo esse volume?

Quem ousa competir com minha lembrança?


Depois, quando o sino parou, me toquei.

Peguei o vazio, fiz dele um perfume

e saí voando, subindo e descendo,

até cair feliz da vida no teu pensamento.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Desencontro

Fica você aí,
achando
que não te quero

Fico eu aqui
olhando
pro telefone

Mal sabe
que te espero

E eu mal sei
o teu nome.

Eta jogo complicado!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pergunta pra Clarice

Está certo. A vida é uma aprendizagem.
Mas será que ela não exagera
um pouco
na quantidade de lições?



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domingo, 31 de maio de 2009

Borrão

De repente senti a gota
descendo
_______sem
__________licença
sobre a mancha pouca
que borrou a crença
de nossas bocas.


Publicado no Correio da Lavoura.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Falsa calmaria

Calma.
Não te escrevo
não é por desamor.
É por espanto.

Calma.
Não te escrevo
não é por rancor.
É por quebranto.

Daqui a pouco,
vem uma enxurrada
de versos diversos
repletos com a tua alma.
Daqui a pouco,
tudo vai ser inverso:
meu destino na tua palma
e você me pedindo calma.


Poema musicado por Ivan Lins.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Conselho

Não espere muito de mim
porque sou muito pouco
Pouco para o que você sente
Pouco para o que você merece

Não espere nem se apresse
porque, além de ser muito pouco,
sou menos do que imagina
Anjo barroco sem ouro
sujeito a qualquer sina,
baião de Edu Lobo sem rapina,
instrumento que não se afina

Não espere muito de mim
porque sou muito pouco
Não espere muito nem pouco amor.


Poema musicado por Leandro Braga.
Publicado no Balaio Porreta.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Já era

Era pra ser um poema de despedida,
mas cadê vontade?
Era pra ter sido uma noite sem bebida,
mas cadê coragem?
Era pra eu esquecer o teu cheiro,
mas ele é tão bom...
Era pra eu não reconhecer a tua voz,
mas eu ainda me arrepio!
Era pra eu ficar em paz,
mas você é muito atento.
Era pra eu não querer te ver nunca mais,
mas nunca mais é muito tempo.



Publicado no site Releituras.