quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Obra mais que prima*

Um bezerro azul de plástico
Metade de um pião rosa de plástico
Um minimickey dos anos 70, de plástico
Uma bola vermelha que não é de plástico,
de um jogo perdido
Tudo isso dentro de um copo transparente,
de requeijão, de plástico,
com tampa azul de plástico.
Unindo os objetos, água.
Na ponta da língua, uma resposta plástica:
– É uma obra-tia, mamãe!



*Inspirada na obra de João Fernandes de Medeiros e Albuquerque

6 comentários:

  1. Coisas (e pergunta) do João? Um poema com jeito de literatura infantil... Gostei, Menina!

    Um beijo.

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  3. É salutar a exploração da linguagem como parte da estética. A OBRA nos remete ao lúdico e ao universo idiossincrático da linguagem infantil. Adotada a ótica da criança para a construção da poesia, sua linguagem nos remete às imagens de seu universo. O elemento "plástico" do qual vê seu mundo cercado é mais um recurso de delineamento do contexto infantil. O neologismo e indiossincrasia que conclui o poema forma uma base para as construções desse universo. A infãncia, tempo de pura sinestesia, é um subtema que se percebe no apelo aos sentidos visual pela cor, pelo tato na matéria plástica e nas formas que delineam os objetos, bem como da audição, no uso da repetição do uso da linguagem fática e, em tudo, como já dito, o universo lúdico da criança. Uma obra-(prima) no melhor sentido do primor. Hehehehehehe.
    Parabéns!

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  4. Poesia com bom humor é bem legal. Beijo.

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  5. É impressionante como o nosso cotidiano, mesmo frustante, pode se transformar numa poesia que nos envolve,acalma,confunde,este é o paradoxo da vida. Parabéns(sinto falta do Paulo também)

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